terça-feira, 6 de julho de 2010

Adieu François!

___ Bonjour François,

___ Se você estiverr do outro lado da linha, não atenda, porr favorr! Deixe-me dizer tudo o que preciso enquanto ainda tenho corragem parra fazê-lo... s'il te p l a î t ... Eu sei que você extá no meio da sua expediente, maix...

___ Bem, o fato é que não há maix o que fazerr, não posso mais com issa. Estou aflita demais nessa lugar. Tenho medo dhi sair nas ruas desta cidade e ser assaltada antes dhi chegar na exquina... morro de calor toda vez que deixo nosso apartementchi na Vieirra Souto. É verrdadi, não me chama de frexca! Do que adianta morrar na beirra da prraia se vivo dentrro das grradhis dexte apartamentchi, com medo dhi tudo e de todos? Em Paris a vida erra muito mais simpática, a ambiente era vachement mais agrradável as pessoas erram mais civilizadas comigô... não, eu não aguento maix o Brésil!

___Toda vez que saímox juntox tenho que fazer um exforço enorrme parra entendêrr tudo o que seus amigos dizem nessa língua insuportável. Não, não é a língua deles que é insuportável, é o fato de eu não entender essas... essas... essa langage argotic que elex falam. Não é possível issa, eu já fiz 6 meses de aulas de portuguêx, no curso mais carro do Rio de Janeiro, e ainda não consigo entender o que a minha emprregada me fala para comprrar no supermarché! En plus, eu tenho este accento horrível, o que me faz parrecer ridhícula na frente de todos eles, mesmo meus crianças me corrigem quando eu fala...

___ Eu não aguenta mais! Deixou toda a minha vida social em Paris para viver com você nessa lugar, max eu não aguento mais. Lá eu tinha um trraváio, amigox, famille, uma vida inteirra! Aqui eu não tenho nada, rien du tout. D'ailleurs ainda tenho que ficarr cuidando das crienças o dia inteirro pois as excolas desse país só funcionam uma parte do dia!

___ E ainda por cima, vc quer que eu tenha humor para fazer amor com você nexte calor?! Franchment, você não consegue entender que é enervantche fazer isso com você espirrando todo o seu suor em cima dhi mim? C'est finis pour moi!!! Extou pegando o primeiro avião de volta parra casa. Depoix volto para buscar nossox filhos, quero traze-los de volta à civilizaçao, mas porr enquanto, vou sozinha mêxmo. Preciso de férias dessa vida, vacances de Brésil!
Mandarrei as billetes de avion deles quando eu tiver arrumado uma nounou em Paris.
____ Franchement, c'est fini!

...

___ Marie, Marie...

Tou, tou, tou , tou...

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Lembrei dos meus sonhos...

Eu não tenho absolutamente nada à dizer, mas acordei com uma súbita vontade de escrever...
Daí me lembrei que queria descrever como as coisas andam diferentes ultimamente...

... e lembrei que o gosto da comida não é mais o mesmo;
que está sempre meio morno tudo aquilo que eu bebo...

Lembrei que aqui eles devolvem até moeda de 1 centavo;
que o céu que me cobre é um pouco acinzentado;
e o que cai dele nem sempre é chuva:
as vezes são flocos de nuvens que se desprendem das alturas,
e outras vezes são pequenas pedrinhas de gelo, que demandam certo zêlo ao andar pelas ruas!


... Lembrei que o café tem sempre um gosto forte e que ele vem com uma espuminha por cima e um biscoitinho do lado para amenizar o sabor amargo...

... Lembrei que a língua que se fala as vezes é igualzinha à minha - principalmente se estou no metrô - , mas as vezes é beeeeeem diferente, como se eu estivesse na antiga União Soviética!

... Lembrei que a praia fica longe e que eu nem mesmo conheço o caminho de lá...

... Lembrei que o cachorro faz "wolf", "wolf" e a gato faz "meaw"...

... Lembrei que a menina só sabe chorar,
e que o menino só sabe brincar!

Lembrei que aqui não tem água de côco, nem feijão preto
Mas que sempre tem algum queijo ou um "apêro"!

Lembrei que aqui não faz calor
e que eu nunca durmo sem cobertor...

Lembrei que nem sempre durmo a noite inteira
e que tenho curso amanhã de manhã...

Lembrei dos meus sonhos!
Aqui eu não sonho mais, nem sei se sou capaz
de acreditar nos meus próprios contos!

E lembrei também que aqui dizem "bom dia" o diiiiiiiiia inteeeeeeeeiro...

Acho que pelo menos isso ameniza a dor e a delícia de quem troca o país "Abençoado Por Deus" pela galante "Cidade Luz", aquela mesma que você conhece de tantos contos de fadas...

Você lembra dos seus sonhos? Pois é, eu esqueci os meus...

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Caro Richard

É verdade, eu quase nunca ouço minha secretária eletrônica. Mas hoje, quando cheguei, estava ela lá piscando incessantemente, quase que pedindo que eu a apertasse. Não fosse por ela, não ouviria teu recado, Richard. Somos iguais com relação ao olho no olho, e por isso recebes esta carta.

Sabe, acho engraçado você citar meu analista. Não fosse por você, eu não o teria...É fácil culpar os outros quando na verdade, no nosso caso, não há culpados. Você me culpa por querer adiar momentos, por transformar em indefinível o que já foi concreto... Aposto até que me culpas pela sua tristeza, visto que ela só aflora quando conversamos, não é mesmo?
Não estou querendo culpar-te nesta parte, mas se temos algo sem objetivo, não foi por opção minha. É como se estivéssemos a deriva, boiando... se não nadarmos a probabilidade de chegarmos na mesma praia é cada vez mais obsoleta. Talvez por isso nossas conversas não cheguem ao objetivo que você deseja. Talvez não exista mais eu e você, visto o abismo que nos mantêm distantes.
Quando o barco estava naufragando fiquei aqui sozinha e não aguentei o tranco. Agora que ele está em profundas águas você relamente acredita que pode salvá-lo? Se eu fizesse algo, tomasse alguma medida, como você gostaria que eu fizesse, retiraria os escombros do que restou da gente da profundeza do oceano?
Realmente Richard, é difícil subir à superfície depois de mergulhar em águas tão profundas...


Para entender melhor essa postagem visite:http://oextremoocidente.blogspot.com/2009/06/um-recado.html

quarta-feira, 10 de junho de 2009

E aí, como vai você? Eu?!? Eu vou bem, obrigada... apesar da falta de dinheiro, falta de estímulo, falta de vergonha na cara... é, acho que vou bem sim...
Apesar dos sonhos longe de serem realizados, apesar da falta de perspectiva, dos pensamentos suicídas... é, não vou mal não. Mesmo preocupada com os mortos no vôo da Air France, com a gripe suína, a crise financeira... é, a coisa anda assim, meio... meio mal, mas anda.

Parada é que a coisa não pode ficar...
(...)

Não sei bem por quê, mas sinto nisso tudo uma certa ironia...
Ironia?! Irônica, eu?!? Sabe que você tem até um pouco de razão?!
(...)

Mas o que é racional hoje em dia mesmo?! Aumentar o tamanho das más notícias nos jornais ou fingir que não está nem aí para elas ? (...)
E viver sua mesmice cootidiana?? E voltar a lembrar da falta de perspectiva dos sonhos impossíveis? (...)

Não sei. Não sei MESMO!
E o pior é que nem dá para 'filosofar' no bar, porque a tal da crise levou embora a grana da cerveja...

quarta-feira, 8 de abril de 2009

PÃO, SANGUE E PALAVRAS

Sobre olhos enegrecidos e mudos
Sobre a catabáse de minha alma
Osculo o improvável, o inevitável
Torno-me esta coisa obesa, mórbida, crua, cheia de expectativas
Mãos tortas de apego e imensurabilidade
Nada, enfim, perfeito.

Sobre a ala de pêlos corporais
Encorpando-se a pele morena
Sou a dura arte da descoberta
Mudo, esquizofrênico, distante, deslizante
Sobre o afã do imaginável
Da desmesura, das mãos dramáticas de Caravaggio

Acima de mim?
Nem Deus, ele percorre minhas veias!
E nelas há um pouco de justiça
De preguiça em puro descanço
De boa bebida e comida com prazeres e dons

Sou o inevitável momento do que há de mais principal
Um eu transbordante
Em copos de água que escorrem ao mar aberto
Peito, Horizonte e Imensidão

Sobre meus dedos, minhas linhas, minha geografia
Há um sabor de caos
De rosa despedaçada
De leite, pão e mel
De palavra, ódio e amor
De tudo e nada
De rito e silêncio
De momento e afasia
Ânsia e azia

Tudo está em mim
E em mim deve ficar

E nesse menino que anda torto
Pés desengonçados e sem chão
Flutua sobre o que há de mais fantástico:
- Imprecisão.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Silêncio


Creio que às vezes sou autista. Tenho certa dificuldade em me relacionar apropriadamente ao ambiente e quando isto acontece, fico em silêncio. A maioria das pessoas não me entendem, exigem respostas de pronto, mas eu não as tenho em todas as ocasiões. Depois de certo tempo, passei a me perguntar o porque disso e cheguei a conclusão de que as pessoas não sabem lidar com o silêncio. Algumas delas associam a ausência de som com a solidão, outras tem medo do seu próprio pensamento, de suas reflexões. Já reparou como o mundo é barulhento? As pessoas chegam em casa sozinhas e já saem ligando a televisão pra não suportar aquele hiato sonoro. Mesmo que tenham outras atividades, a TV só tem a função de fazer barulho, uma simulação de uma falsa companhia. É tudo tão alto, ruidoso e estrondoso como uma bomba atômica preste a estourar.
Admito que é complicado quando você está falando com alguém e o cidadão não te responde... Será que ele está ouvindo? É provável que sim, porém naquele momento aquela pessoa está passando por uma enxurrada de pensamentos e incapaz de produzir uma resposta eficaz. Entenda que alguns levam mais tempo que outros e que isso não é critério de inteligência, capacidade mental ou intelectual.
Nem sempre as palavras expressam melhor que um belo silêncio. E com o tempo e treino você consegue interpretar além das verborragias habituais, e isto lhe será um diferencial. Termino com uma citação de Ciro: "Arrependo-me muitas vezes de ter falado; nunca de ter silenciado".

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Ser feio

A feiura é uma virtude para poucos
Ninguém é feio porque quer
É estado de graça
Momentos e nacos de felicidade imperfeita

Para ser feio
Não é só preciso rasgar as roupas do dia
cuspir e arrotar
É preciso mover sua propria conveniêcia
Para tudo aquilo que não está no atual
Fazer valer seu espírito nobre
De vestir tudo ao contrário
E perceber que és uma exclusão ambulante
E ver que isso não é defeito
É uma dádiva, um desbunde, um sexo
Uma trepa bem dada
Saia com roupa mais rasgada
E mais horrível
E veja que a feldade é algo tão comum e singelo
Como dar pipoca aos pombos da praça
Mostre para a patricinha e para o Maurição
Que você é tão linda (o) que ofusca os olhos
E faz com que afaste os olhares
Olha, a garota de ipanema é feia!
Ela não tem nada que os olhos não afaste
A feiura é um perigo, uma transgressão, uma subversão
É tortura
A feiura não está na liquidação
Mas no esquecido do brechó
No deposito, sempre a espera da compra
Da sua expectativa inseparável
A feiura é o elmo dos herois feios
E dela que se faz a sua piedade
E a sua comoção
Ah, feiura
Me acompanhe até a morte
A terra, as minhocas ficarão satisfeitas

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Metron

Meço
Meço meu maço de palavras
Duzias
E digo as duvidas de vida
Reduzo
Ao extremo
Descortino-me em novas propriedades
Exibo
As medidas incontáveis
Detestáveis para alguns
E arrebento mesuras
E digo
Meu Deus, me "mida"

domingo, 30 de novembro de 2008

"Ele lhe mostrou uma chave presa numa placa de madeira em que havia um número seis escrito em vermelho."

Même para vocês!

Original
"Règles:
* Attrapez le livre le plus près de vous. Maintenant.
* Allez à la page 56.
* Trouvez la 5e phrase.
* Écrivez cette phrase dans votre statut.
* Copiez ces instructions en commentaire à votre phrase.
* Ne cherchez pas votre livre préféré ou le plus cool mais bien le plus proche"


Tradução (mal feita, mas ainda sim, válida)

Regras:
* Pegue o livro mais perto de você agora.
* Vá até a página 56.
* Encontre a 5ªfrase.
* Escreva essa frase no seu blog (e nos meus comentários também, ora bolas)
* Copie essas instruções no comentário a sua frase (no seu blog, se você estiver a fim de passar o même adiante, claro!)
* Não procure seu livro preferido, nem o mais legal que você tem em casa. Pegue o que está realmente mais próximo de você nesse momento.

Frase do meu livro:

"Ele lhe mostrou uma chave presa numa placa de madeira em que havia um número seis escrito em vermelho."

(KUNDERA, Milan. A insustentável leevza do ser, pg 56: Rio Gráfica)

*Na verdade, o livro mais próximo de mim era 'A arte de amar' do Ovídio, mas a pg 56 está em branco (troca de capítulos =/ ...), então, tive de pegar o debaixo desse. Assim reencontrei o Kundera que estava esquecido aqui na bagunça do meu quarto...

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Cópia?! (parte II*)

.....Entendo que a criação literária possa despertar inveja nos demais. Afinal, criar um mundo ou recontá-lo através de suas palavras, causar o riso ou a comoção alheia, colher os louros por seu talento são coisas que fascinam a grande parte dos seres humanos. Isso ocorre por alguns motivos bem simples: A beleza física, por exemplo, é algo temerário e discutível. Com o tempo, um rostinho bonito e um corpinho sarado perdem seu valor. O dinheiro é um recurso que nem sempre é bem administrado e pode esvair-se nas mãos de quem não sabe cuidá-lo. Inteligência, por sua vez, é o único atrativo que uma pessoa carregará consigo pela vida inteira.
.....Imagine como deve ser bem quista uma pessoa capaz de provocar o riso com uma crônica bem elaborada e como se torna sedutor um poeta capaz das mais belas imagens e dos mais refinados versos? Imagine você quantos desejam esse dom?! Eu mesma sou amante da boa escrita. Não daquela que demonstra nosso domínio da gramática, mas de uma obra que me toca por algum motivo. Também sonho com uma glória literária que jamais alcançarei, visto que não tenho talento e, por mais que tenha estudado os clássicos, reconheço que estou bem aquém dessa literatura que tanto aprecio.
.....O que me preocupa agora não é o fato de não ter talento. Com isso já estou conformada. O que me preocupa, aliás, me corrói os nervos nesse momento é perceber que as pessoas não se conformam de não serem tão talentosas como as outras e cometem os atos mais vis para receber meia dúzia de elogios que nunca as pertencerão de fato. Falo aqui mais uma vez de uma prática desonesta denominada cópia.

.....Faz pouco tempo que li esses textos aqui em baixo:

IGUAL: http://sunflowerrecords.blogspot.com/2008/07/post-velho-blogue-novo.html
versus: http://doceintolerancia.blogspot.com/2008/09/sobre-o-quando-minha-cadela-me-choca.html


PARECIDO: http://sunflowerrecords.blogspot.com/2008/04/na-amizade-no-cinismo-e-na-doena.html

versus: http://doceintolerancia.blogspot.com/2008/09/na-amizade-na-desgraa-e-no-cinismo.html


.....Não sei nem o que pensar. Se tenho pena da *‘copiona’ ou da *‘copiada’ - sim, porque a copiada fica sem os créditos e sem os elogios devidos a sua produção e a ‘copiona’ me causa ainda mais pena pois nunca chegará aos pés daquela que copia se não passar a criar em vez de tomar o alheio como seu e viverá para o resto de seus dias sabendo que é uma farsa completa, digna de escárnio e repulsa. Mais uma vez me peguei sem saber se rio ou se choro.
.....Ser copiada talvez seja a prova cabal de que você produz algo interessante – você não é mais um medíocre, você é agora um escritor lido, comentado e copiado, ou melhor, digno de ser “repassado”. Ser copiado te priva de receber o feedback do leitor e de alimentar o seu ego – o que eu costumava fazer quando lia os comentários aos textos que publiquei neste blog *. Ser copiado também te faz pensar em como o ser humano é capaz de agir para obter um simples elogio (por que em muitos casos uma cópia rende apenas isso) e como o mundo a nossa volta pode ser medíocre: na falta de inspiração, usa-se o talento do outro para parecer menos imbecil ante a sociedade hipócrita em que vivemos. Tem dado certo para algumas pessoas...

.....Acho que usar uma obra alheia sem dar o devido crédito ao autor é, no mínimo, uma prova de parca inteligência. No caso dos textos linkados acima é ainda mais idiota. Algum dia perceberão que a suposta autora é uma farsa ou que 'inspirou-se' em outrem para construir o seu. Não há nada demais em inspirar-se verdadeiramente no outro para sua criação. A ciência, por exemplo, depende disso. Só acho o cúmulo as pessoas esquecerem de onde surgiu todo o conhecimento de que se utilizam para escrever, compor, criar, etc, etc...
...

*Se você ainda não conhece o blog, leia também a parte I. Está alguns posts abaixo.
*Para saber quem são a 'copiona' e a copiada, preste atenção nas datas de publicação dos 2 blogs.
*Sim, tenho um EGO do tamanho de um mundo e escrevo para ser comentada! Elogios e críticas são bem vindos. Se eu não os quisesse, escreveria no meu diário particular e manteria os textos inéditos.