domingo, 23 de março de 2014

Filmes franceses que você não pode deixar de assistir (não estão na ordem de importância):

Comédia:

  1. Les Intouchables (2011 - Eric Toledano, Olivier Nakache)
  2. Le Dîner de Cons (1998 - Francis Veber)
  3. Bienvenu Chez les Ch'tis (2008 - Dany Boon)
  4. La Cage Dorée (2013 - Ruben Alves)
  5. Brice de Nice (2005 - James Huth)
  6. Camping (2006 - Fabien Onteniente)
  7. L'Auberge Espagnol (2002 - Cédric Klapisch)
  8. Les Poupées Russes (2005 - Cédric Klapisch)
  9. Le Casse-Tete Chinois (2013 - Cédric Klapisch)
  10. La Vérité si Je Mens (1997 - Thomas Gilou)
  11. La Vérité si Je Mens 2 (2001 - Thomas Gilou)
  12. La Vérité si Je Mens 3 (2012 - Thomas Gilou)
  13. Le Prénom (2012 - Alexandre de La Patellière, Matthieu Delaporte)
  14. Tanguy (2011 - Étienne Chatiliez. Bem melhor que “Failure to Launch” de Tom Dey)
  15. Le Concert (2009 - Radu Mihaileanu)
  16. 9 Mois Ferme (2013 - Albert Dupontel)
  17. OSS 117: Rio Ne Réponds Plus (2009 - Michel Hazanavicius)
  18. Les Infidèles (2012 - Emmanuelle Bercot, Fred Cavayé, Alexandre Courtes, Jean Dujardin, Michel Hazanavicius, Éric Lartigau, Gilles Lellouche)
  19. Alceste à Bicyclette (2013 - Philippe Le Guay)
  20. Potiche (2010 - François Ozon)
  21. Tout Ce Qui Brille (2010 - Géraldine Nakache et Hervé Mimran)
  22. Neuilly sa mère ! (2009 - Gabriel Julien-Laferrière)

Policial:

  1. Roman de Gare (2007 - Claude Lelouch)
  2. Polisse (2011- Maïwenn)
  3. À l'Aveugle (2012 - Xavier Palud)
  4. Crime d'Amour (2010 - Alain Corneau. Bem melhor q a versão "Passion" de Brian de Palma)
  5. Omar m'a Tuer (2011 - Roschdy Zem)

Romance ou Comédia Romântica:

  1. L'Arnacœur (2010 - Pascal Chaumeil)
  2. Hors de Prix (2006 - Pierre Salvadori)
  3. Les Petits Mouchoirs (2010 - Guillaume Canet)
  4. De Rouille et d'Os (2012 - Jacques Audiard)
  5. La Délicatesse (2011 - David Foenkinos, Stéphane Foenkinos)
  6. Populaire (2012 - Regis Roinsard)
  7. Un Heureux Événement (2011 - Rémi Bezançon)
  8. Un Bonheur n'Arrive Jamais Seul (2012 - James Huth)

Drama:

  1. La Source des Femmes (2011 - Radu Mihaileanu)
  2. La Vie d’Adèle - Chapitres 1 et 2 (2013 - Abdellatif Kechiche)
  3. Dans la Maison (2012 - François Ozon)
  4. Les Femmes du 6ème Étage (2011 - Philippe Le Guay)
  5. Comme les Autres (2008 - Vincent Garenq)
  6. Dialogue Avec Mon Jardinier (2007 - Jean Becker)
  7. Guillaume et Les Garçons, à Table! (2013 - Guillaume Gallienne)
  8. 99 Francs (2007 - Jan Kounen)
  9. Des hommes et des dieux (2010 - Xavier Beauvois)
  10. Jeune et Jolie (2013 - François Ozon)
  11. Entre les Murs (2008 - Laurent Cantet)
  12. 17 Filles (2011 - Delphine et Muriel Coulin)
  13. La Fille du Puisatier (2011 - Daniel Auteuil)
  14. La Guerre Est Déclarée (2011 - Valérie Donzelli)
  15. Tu Seras Mon fils (2011 - Gilles Legrand)
  16. Du Vent Dans Mes Mollets (2012 - Carine Tardieu)

Vintage e/ou Cult:

  1. Le Fabuleux Destin d'Amélie Poulin (2001 - Jean-Pierre Jeunet)
  2. La Faute à Fidel (2006 - Julie Gavras)
  3. Le Pianiste (2002 - Roman Polanski)
  4. The Artist (2011 - Michel Hazanavicius)
  5. Les Choristes (2004 - Christophe Barratier)
  6. À Bout de Souffle (1960 - Jean-Luc Godard)
  7. Coco Avant Chanel (2009 - Anne Fontaine)
  8. Coco Chanel et Igor Stravinsky (2009 - Jan Kounen)
  9. Bleu (1993 - Krzysztof Kieślowski)
  10. Molière (2007 - Laurent Tirard)
  11. L'Homme de Rio (1964 - Philippe de Broca)
  12. La Môme (2007 - Olivier Dahan)
  13. Cloclo (2012 - Florent Emilio Siri)
  14. Yves Saint-Laurent (2014 - Jalil Lespert)
  15. La Vênus à la Fourrure (2013 - Roman Polanski)
  16. La Guerre des Boutons (2011 - Yann Samuell)
  17. Kirikou et les hommes et les femmes (2012 - Michel Ocelot)
  18. Persépolis (2007 - Vincent Paronnaud et Marjane Satrapi)



terça-feira, 11 de setembro de 2012

BFF

Eu sempre achei loucura essas pessoas que entram no ônibus, sentam do seu lado, perguntam a hora ou comentam sobre o clima e a partir do momento que você abre brecha, utilizam este artifício para iniciar a conversa. Quanto mais desconhecido, mais privada, mais intima, mais retiradora de fôlego. Hoje eu entendo. Entendo que é uma auto proteção, sabe por quê? Porque somente uma melhor amiga é capaz de ferir e atingir aquela mazela. Aquele ponto que você nunca revelou que seria sua fraqueza, mas que só ela sabe. Porque essa pessoa consegue adivinhar seus pensamentos, o que você come, seus preconceitos, os locais que frequenta. Ao longo dos anos vai reunindo informações na caixola, não com intuito de usar contra você, mas neste primeiro momento, como se fosse uma tentativa de entender melhor a best friend, de realizar os melhores programas, comprar os melhores presentes, realizar as mais bonitas homenagens. Mas e se por um acaso os ventos mudam? O que quero dizer é: somente um melhor amigo pode se tornar um bom inimigo e voltando ao início do parágrafo, eu entendo essas pessoas aleatórias que confessam coisas em coletivos porque eles não guardam nenhum tipo de pensamento, chocam o ouvinte, mas provavelmente, nunca mais irá encontra-lo e o ouvinte também jamais saberá se o fato é verídico ou não. Genial.


quinta-feira, 14 de abril de 2011

M'Exprimer

Ça m'enerve de n'écrire plus rien ici... C'est ne pas que je n'ai pas d'idées, c'est juste qu'il est tellement difficile de trouver la bonne façon de le faire, de trouver du temps, enfin...

De plus, j'ai tellement changé ma façon d'écrire! D'abord la langue. Je n'ai eu l'opportunité d'écrire en langue maternelle depuis longtemps. Après, cette langue chois,i - ou plutôt imposée - elle est si difficile à maîtriser... je ne pense plus de la même maniere d'avant. Non, non... je ne pouvais pas seulement traduire mes pensés: il fallait trouver les moyens de m'exprimer dans une langue autre que la mienne. Et alors, ça change aussi la façon de penser.

Vous ne me croyez pas ? Essayez de dire que vous êtes "chez soi" dans une autre langue...

Ahâ! Voilà ce que je voulais dire... il y a certaines choses impossibles d'exprimer correctement en dehors de votre langue matternelle. Vous allez trouver, bien sur, d'autres expressions, ou d'autres façons de dire la même chose, de transmettre la même idée, mais vous n'allez pas du tout trouver une autre expression parfaitement equivalent à celle là. Et alors, vous avez perdu vos habitudes par rapporte à la langue nouvelle...

Moi, je ne peut plus changer de note quand je parle. Ma nouvelle langue est "plate", elle ne permait pas ce genre de chose, elle n'est pas "musicale"... c'est la merde ! Parfois je discute avec mes parents au telephone et les gens trouvent que je me "dispute" avec eux... les pauvres, il ne savent pas que la beauté de mon idiome est justement d'être proche d'une sorte de chant...

Non, non, non, il ne faut pas avoir peur. C'est la merde, mais bon... il faut accepter les changements... Mais qu'est-ce que c'est difficile d'accepter un tel changement de caractere, n'est-ce pas ?

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Cadeia Alimentar


Anna Júlia era uma menina mediana no colégio. Sempre esforçada, participativa, mas nunca um gênio. Bom, mas o que importa não é seu desempenho escolar e sim uma lembrança que ela teve durante a aula de Ciências. A professora era magra, cabelos lisos e os dentes escurecidos pelo tabaco, e enquanto dissertava sobre cadeias e teias alimentares, Aninha se lembrou de uma tarde de verão 2 anos atrás.

Era Janeiro, pico do verão carioca. Os termômetros marcando 39º graus no relógio digital da praça Saens Peña, zona norte. Mesmo ao final do dia, o local estava cheio de pessoas saindo do metrô no pós praia, velhinhos lendo seu jornal e jogando dominó e pombos bem gordos que corriam atrás dos pipoqueiros.

Aninha tinha ido passar o domingo com a avó paterna e depois de uma bela e farta macarronada, com direito a sorvete de chocolate de sobremesa, as duas foram até a cozinha partir pão velho em pequenos pedaços para oferecer aos peixes que viviam em um grande chafariz situado bem no meio da praça.

Anna Júlia chegou perto, observou os peixes e começou a jogar lentamente o pãozinho cortado com tanto esmero. O peixe, ao que tudo indicava, parecia feliz e saltitava nas águas esverdeadas como se agradecesse o pão daquele dia.

Eis que surge uma garça... Agora vamos parar para refletir um pouco leitor... Você já teve a oportunidade de ver este animal de perto? Esquisitíssimo, de uma finura sem igual. Creio que a linha de pipa com cerol deva ser da mesma finura que a pata deste ser. Garganta, bico, patas, tudo fino. Além da bizarrice do ser, vamos levar em consideração ao animal e seu contexto com os centros urbanos... Como aquela ave surgiu no meio da Tijuca? Bom, voltando. A garça iniciou aproximação com a menina, ficando ao seu lado e observando movimentação nas águas. Começou a se movimentar de forma esquisita, apontando o bico pra água e PIMBA, agarrou o peixe ainda vivo no bico e devido a sua estreita garganta era possível ver o animalzinho se debatendo rumo ao estômago. O susto foi tão grande que Júlia agarrou-se nas pernas da avó e chorou copiosamente enquanto a garça liberava suas excretas bem no meio do concreto quente.

Quando Aninha voltou a si, a professora já havia passado o trabalho de casa no quadro:

Faça uma cadeia alimentar:

Moleza... Pão---Peixe---Garça.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Eu abandonei o magistério... ou não!

Para quem não sabe, eu me formei em Letras - Português-Latim - e fui professora de português para estrangeiros no cursinho da mesma universidade onde fiz meu bacharelado e minha licencHatura - a troca do "i" pelo "h" é somente mais uma das minhas irônias. Pouco depois de terminar a primeira faculdade, comecei a segunda, em História da Arte.

Nada disso tem a menor importância agora, pois joguei para o alto todos os diplomas que acumulei ao longo desses 6 anos de vida acadêmica para vir à França escrever com teclado AZERTY e andar de trem suburbano - que leva 55 malditos minutos para chegar ao centro de Paris. E vim também para contribuir na educação de 2 criancinhas fofas de 3 e 6 aninhos. Isso compreende buscar na escola, dar o lanchinho, brincar com eles, levar na pracinha, ajudar no dever de casa, separar as brigas, arrumar os brinquedos que eles esparramam pela casa, limpar os cuzinhos sujos de merda...

Em resumo, vim como jeune fille "Au Pair".

Há quem diga que ser Au Pair é uma outra forma de elevar um ser. Em francês, utiliza-se o termo "elevar" em vez de "educar", no sentido de fazer com que o pequeno ser que você tem em suas mãos "cresça", "eleve-se". É por isso que aqui na França até os 18 anos você é "élève" e só se torna "étudiant" quando vai para a faculdade. Bom, deve ter alguma coisa de interessante em limpar bunda de criança e fazê-las brincar sem se estapear. Deve ter algo de sublime nisso. Só não sei dizer o que é!

Por enquanto, nem mesmo o curso de francês - obrigatoriedade do programa Au Pair aqui na terra do Sarkozy - parece valer a pena. Aliás, as minhas impressões sobre o povo do velho mundo são as mais instáveis possíveis. Tem horas nas quais eu amo estar aqui, tem dias em que odeio. TPM talvez... Sobre o meu atual "trabalho" então, nem se fala!

Um dia eu vou entender a razão de muitas coisas que passam na minha cabeça neste exato instante, como por exemplo, como reagir quando uma criança quer te obrigar a brincar com ela e SÓ COM ELA, deixando o pobre do irmãozinho de lado, e POR QUE eu me sinto mal quando não consigo fazer com que eles se entendam, com que tenham modos. Eles não são meus filhos, oras, porque me preocupar tanto com eles? Ninguém vai chamar a minha atenção se eles fizerem besteiras, ninguém vai me recriminar por não ter conseguido "bien elever" as crianças. Alias, porque pensar na educação e no bem estar deles quando eu poderia estar fazendo coisa muito melhor, como por exemplo, dormir? Eu sou apenas a Au Pair, a babá! Não há a menor necessidade de pensar nas crianças das quais tomo conta no meu "horário livre"...

Bom, não entendo mais nada do que faço, sinto ou escrevo. Talvez seja a minha veia para o magistério voltando a pulsar. Talvez seja instinto feminino. Talvez eu vá sentir falta deles quando for embora...

J'en sais rien!

Por enquanto, vou me contentando em vos escrever esse breve relato da minha vida. Minhas reais ilusões, decepções, sonhos e crenças, bem, isso tudo deixo para mais tarde. Por enquanto é só um breve emaranhado de sentimentos, tão confusos que mal conseguem sair da cabeça em forma de palavras. A única conclusão à qual posso chegar no momento, é que isso de ser Au Pair não tem nada de magistério, mas tem muito de MISTÉRIO!


Por Raquel D. C. Ferrerira

terça-feira, 6 de julho de 2010

Adieu François!

___ Bonjour François,

___ Se você estiverr do outro lado da linha, não atenda, porr favorr! Deixe-me dizer tudo o que preciso enquanto ainda tenho corragem parra fazê-lo... s'il te p l a î t ... Eu sei que você extá no meio da sua expediente, maix...

___ Bem, o fato é que não há maix o que fazerr, não posso mais com issa. Estou aflita demais nessa lugar. Tenho medo dhi sair nas ruas desta cidade e ser assaltada antes dhi chegar na exquina... morro de calor toda vez que deixo nosso apartementchi na Vieirra Souto. É verrdadi, não me chama de frexca! Do que adianta morrar na beirra da prraia se vivo dentrro das grradhis dexte apartamentchi, com medo dhi tudo e de todos? Em Paris a vida erra muito mais simpática, a ambiente era vachement mais agrradável as pessoas erram mais civilizadas comigô... não, eu não aguento maix o Brésil!

___Toda vez que saímox juntox tenho que fazer um exforço enorrme parra entendêrr tudo o que seus amigos dizem nessa língua insuportável. Não, não é a língua deles que é insuportável, é o fato de eu não entender essas... essas... essa langage argotic que elex falam. Não é possível issa, eu já fiz 6 meses de aulas de portuguêx, no curso mais carro do Rio de Janeiro, e ainda não consigo entender o que a minha emprregada me fala para comprrar no supermarché! En plus, eu tenho este accento horrível, o que me faz parrecer ridhícula na frente de todos eles, mesmo meus crianças me corrigem quando eu fala...

___ Eu não aguenta mais! Deixou toda a minha vida social em Paris para viver com você nessa lugar, max eu não aguento mais. Lá eu tinha um trraváio, amigox, famille, uma vida inteirra! Aqui eu não tenho nada, rien du tout. D'ailleurs ainda tenho que ficarr cuidando das crienças o dia inteirro pois as excolas desse país só funcionam uma parte do dia!

___ E ainda por cima, vc quer que eu tenha humor para fazer amor com você nexte calor?! Franchment, você não consegue entender que é enervantche fazer isso com você espirrando todo o seu suor em cima dhi mim? C'est finis pour moi!!! Extou pegando o primeiro avião de volta parra casa. Depoix volto para buscar nossox filhos, quero traze-los de volta à civilizaçao, mas porr enquanto, vou sozinha mêxmo. Preciso de férias dessa vida, vacances de Brésil!
Mandarrei as billetes de avion deles quando eu tiver arrumado uma nounou em Paris.
____ Franchement, c'est fini!

...

___ Marie, Marie...

Tou, tou, tou , tou...

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Lembrei dos meus sonhos...

Eu não tenho absolutamente nada à dizer, mas acordei com uma súbita vontade de escrever...
Daí me lembrei que queria descrever como as coisas andam diferentes ultimamente...

... e lembrei que o gosto da comida não é mais o mesmo;
que está sempre meio morno tudo aquilo que eu bebo...

Lembrei que aqui eles devolvem até moeda de 1 centavo;
que o céu que me cobre é um pouco acinzentado;
e o que cai dele nem sempre é chuva:
as vezes são flocos de nuvens que se desprendem das alturas,
e outras vezes são pequenas pedrinhas de gelo, que demandam certo zêlo ao andar pelas ruas!


... Lembrei que o café tem sempre um gosto forte e que ele vem com uma espuminha por cima e um biscoitinho do lado para amenizar o sabor amargo...

... Lembrei que a língua que se fala as vezes é igualzinha à minha - principalmente se estou no metrô - , mas as vezes é beeeeeem diferente, como se eu estivesse na antiga União Soviética!

... Lembrei que a praia fica longe e que eu nem mesmo conheço o caminho de lá...

... Lembrei que o cachorro faz "wolf", "wolf" e a gato faz "meaw"...

... Lembrei que a menina só sabe chorar,
e que o menino só sabe brincar!

Lembrei que aqui não tem água de côco, nem feijão preto
Mas que sempre tem algum queijo ou um "apêro"!

Lembrei que aqui não faz calor
e que eu nunca durmo sem cobertor...

Lembrei que nem sempre durmo a noite inteira
e que tenho curso amanhã de manhã...

Lembrei dos meus sonhos!
Aqui eu não sonho mais, nem sei se sou capaz
de acreditar nos meus próprios contos!

E lembrei também que aqui dizem "bom dia" o diiiiiiiiia inteeeeeeeeiro...

Acho que pelo menos isso ameniza a dor e a delícia de quem troca o país "Abençoado Por Deus" pela galante "Cidade Luz", aquela mesma que você conhece de tantos contos de fadas...

Você lembra dos seus sonhos? Pois é, eu esqueci os meus...

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Caro Richard

É verdade, eu quase nunca ouço minha secretária eletrônica. Mas hoje, quando cheguei, estava ela lá piscando incessantemente, quase que pedindo que eu a apertasse. Não fosse por ela, não ouviria teu recado, Richard. Somos iguais com relação ao olho no olho, e por isso recebes esta carta.

Sabe, acho engraçado você citar meu analista. Não fosse por você, eu não o teria...É fácil culpar os outros quando na verdade, no nosso caso, não há culpados. Você me culpa por querer adiar momentos, por transformar em indefinível o que já foi concreto... Aposto até que me culpas pela sua tristeza, visto que ela só aflora quando conversamos, não é mesmo?
Não estou querendo culpar-te nesta parte, mas se temos algo sem objetivo, não foi por opção minha. É como se estivéssemos a deriva, boiando... se não nadarmos a probabilidade de chegarmos na mesma praia é cada vez mais obsoleta. Talvez por isso nossas conversas não cheguem ao objetivo que você deseja. Talvez não exista mais eu e você, visto o abismo que nos mantêm distantes.
Quando o barco estava naufragando fiquei aqui sozinha e não aguentei o tranco. Agora que ele está em profundas águas você relamente acredita que pode salvá-lo? Se eu fizesse algo, tomasse alguma medida, como você gostaria que eu fizesse, retiraria os escombros do que restou da gente da profundeza do oceano?
Realmente Richard, é difícil subir à superfície depois de mergulhar em águas tão profundas...


Para entender melhor essa postagem visite:http://oextremoocidente.blogspot.com/2009/06/um-recado.html

quarta-feira, 10 de junho de 2009

E aí, como vai você? Eu?!? Eu vou bem, obrigada... apesar da falta de dinheiro, falta de estímulo, falta de vergonha na cara... é, acho que vou bem sim...
Apesar dos sonhos longe de serem realizados, apesar da falta de perspectiva, dos pensamentos suicídas... é, não vou mal não. Mesmo preocupada com os mortos no vôo da Air France, com a gripe suína, a crise financeira... é, a coisa anda assim, meio... meio mal, mas anda.

Parada é que a coisa não pode ficar...
(...)

Não sei bem por quê, mas sinto nisso tudo uma certa ironia...
Ironia?! Irônica, eu?!? Sabe que você tem até um pouco de razão?!
(...)

Mas o que é racional hoje em dia mesmo?! Aumentar o tamanho das más notícias nos jornais ou fingir que não está nem aí para elas ? (...)
E viver sua mesmice cootidiana?? E voltar a lembrar da falta de perspectiva dos sonhos impossíveis? (...)

Não sei. Não sei MESMO!
E o pior é que nem dá para 'filosofar' no bar, porque a tal da crise levou embora a grana da cerveja...

quarta-feira, 8 de abril de 2009

PÃO, SANGUE E PALAVRAS

Sobre olhos enegrecidos e mudos
Sobre a catabáse de minha alma
Osculo o improvável, o inevitável
Torno-me esta coisa obesa, mórbida, crua, cheia de expectativas
Mãos tortas de apego e imensurabilidade
Nada, enfim, perfeito.

Sobre a ala de pêlos corporais
Encorpando-se a pele morena
Sou a dura arte da descoberta
Mudo, esquizofrênico, distante, deslizante
Sobre o afã do imaginável
Da desmesura, das mãos dramáticas de Caravaggio

Acima de mim?
Nem Deus, ele percorre minhas veias!
E nelas há um pouco de justiça
De preguiça em puro descanço
De boa bebida e comida com prazeres e dons

Sou o inevitável momento do que há de mais principal
Um eu transbordante
Em copos de água que escorrem ao mar aberto
Peito, Horizonte e Imensidão

Sobre meus dedos, minhas linhas, minha geografia
Há um sabor de caos
De rosa despedaçada
De leite, pão e mel
De palavra, ódio e amor
De tudo e nada
De rito e silêncio
De momento e afasia
Ânsia e azia

Tudo está em mim
E em mim deve ficar

E nesse menino que anda torto
Pés desengonçados e sem chão
Flutua sobre o que há de mais fantástico:
- Imprecisão.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Silêncio


Creio que às vezes sou autista. Tenho certa dificuldade em me relacionar apropriadamente ao ambiente e quando isto acontece, fico em silêncio. A maioria das pessoas não me entendem, exigem respostas de pronto, mas eu não as tenho em todas as ocasiões. Depois de certo tempo, passei a me perguntar o porque disso e cheguei a conclusão de que as pessoas não sabem lidar com o silêncio. Algumas delas associam a ausência de som com a solidão, outras tem medo do seu próprio pensamento, de suas reflexões. Já reparou como o mundo é barulhento? As pessoas chegam em casa sozinhas e já saem ligando a televisão pra não suportar aquele hiato sonoro. Mesmo que tenham outras atividades, a TV só tem a função de fazer barulho, uma simulação de uma falsa companhia. É tudo tão alto, ruidoso e estrondoso como uma bomba atômica preste a estourar.
Admito que é complicado quando você está falando com alguém e o cidadão não te responde... Será que ele está ouvindo? É provável que sim, porém naquele momento aquela pessoa está passando por uma enxurrada de pensamentos e incapaz de produzir uma resposta eficaz. Entenda que alguns levam mais tempo que outros e que isso não é critério de inteligência, capacidade mental ou intelectual.
Nem sempre as palavras expressam melhor que um belo silêncio. E com o tempo e treino você consegue interpretar além das verborragias habituais, e isto lhe será um diferencial. Termino com uma citação de Ciro: "Arrependo-me muitas vezes de ter falado; nunca de ter silenciado".

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Ser feio

A feiura é uma virtude para poucos
Ninguém é feio porque quer
É estado de graça
Momentos e nacos de felicidade imperfeita

Para ser feio
Não é só preciso rasgar as roupas do dia
cuspir e arrotar
É preciso mover sua propria conveniêcia
Para tudo aquilo que não está no atual
Fazer valer seu espírito nobre
De vestir tudo ao contrário
E perceber que és uma exclusão ambulante
E ver que isso não é defeito
É uma dádiva, um desbunde, um sexo
Uma trepa bem dada
Saia com roupa mais rasgada
E mais horrível
E veja que a feldade é algo tão comum e singelo
Como dar pipoca aos pombos da praça
Mostre para a patricinha e para o Maurição
Que você é tão linda (o) que ofusca os olhos
E faz com que afaste os olhares
Olha, a garota de ipanema é feia!
Ela não tem nada que os olhos não afaste
A feiura é um perigo, uma transgressão, uma subversão
É tortura
A feiura não está na liquidação
Mas no esquecido do brechó
No deposito, sempre a espera da compra
Da sua expectativa inseparável
A feiura é o elmo dos herois feios
E dela que se faz a sua piedade
E a sua comoção
Ah, feiura
Me acompanhe até a morte
A terra, as minhocas ficarão satisfeitas

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Metron

Meço
Meço meu maço de palavras
Duzias
E digo as duvidas de vida
Reduzo
Ao extremo
Descortino-me em novas propriedades
Exibo
As medidas incontáveis
Detestáveis para alguns
E arrebento mesuras
E digo
Meu Deus, me "mida"

domingo, 30 de novembro de 2008

"Ele lhe mostrou uma chave presa numa placa de madeira em que havia um número seis escrito em vermelho."

Même para vocês!

Original
"Règles:
* Attrapez le livre le plus près de vous. Maintenant.
* Allez à la page 56.
* Trouvez la 5e phrase.
* Écrivez cette phrase dans votre statut.
* Copiez ces instructions en commentaire à votre phrase.
* Ne cherchez pas votre livre préféré ou le plus cool mais bien le plus proche"


Tradução (mal feita, mas ainda sim, válida)

Regras:
* Pegue o livro mais perto de você agora.
* Vá até a página 56.
* Encontre a 5ªfrase.
* Escreva essa frase no seu blog (e nos meus comentários também, ora bolas)
* Copie essas instruções no comentário a sua frase (no seu blog, se você estiver a fim de passar o même adiante, claro!)
* Não procure seu livro preferido, nem o mais legal que você tem em casa. Pegue o que está realmente mais próximo de você nesse momento.

Frase do meu livro:

"Ele lhe mostrou uma chave presa numa placa de madeira em que havia um número seis escrito em vermelho."

(KUNDERA, Milan. A insustentável leevza do ser, pg 56: Rio Gráfica)

*Na verdade, o livro mais próximo de mim era 'A arte de amar' do Ovídio, mas a pg 56 está em branco (troca de capítulos =/ ...), então, tive de pegar o debaixo desse. Assim reencontrei o Kundera que estava esquecido aqui na bagunça do meu quarto...

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Cópia?! (parte II*)

.....Entendo que a criação literária possa despertar inveja nos demais. Afinal, criar um mundo ou recontá-lo através de suas palavras, causar o riso ou a comoção alheia, colher os louros por seu talento são coisas que fascinam a grande parte dos seres humanos. Isso ocorre por alguns motivos bem simples: A beleza física, por exemplo, é algo temerário e discutível. Com o tempo, um rostinho bonito e um corpinho sarado perdem seu valor. O dinheiro é um recurso que nem sempre é bem administrado e pode esvair-se nas mãos de quem não sabe cuidá-lo. Inteligência, por sua vez, é o único atrativo que uma pessoa carregará consigo pela vida inteira.
.....Imagine como deve ser bem quista uma pessoa capaz de provocar o riso com uma crônica bem elaborada e como se torna sedutor um poeta capaz das mais belas imagens e dos mais refinados versos? Imagine você quantos desejam esse dom?! Eu mesma sou amante da boa escrita. Não daquela que demonstra nosso domínio da gramática, mas de uma obra que me toca por algum motivo. Também sonho com uma glória literária que jamais alcançarei, visto que não tenho talento e, por mais que tenha estudado os clássicos, reconheço que estou bem aquém dessa literatura que tanto aprecio.
.....O que me preocupa agora não é o fato de não ter talento. Com isso já estou conformada. O que me preocupa, aliás, me corrói os nervos nesse momento é perceber que as pessoas não se conformam de não serem tão talentosas como as outras e cometem os atos mais vis para receber meia dúzia de elogios que nunca as pertencerão de fato. Falo aqui mais uma vez de uma prática desonesta denominada cópia.

.....Faz pouco tempo que li esses textos aqui em baixo:

IGUAL: http://sunflowerrecords.blogspot.com/2008/07/post-velho-blogue-novo.html
versus: http://doceintolerancia.blogspot.com/2008/09/sobre-o-quando-minha-cadela-me-choca.html


PARECIDO: http://sunflowerrecords.blogspot.com/2008/04/na-amizade-no-cinismo-e-na-doena.html

versus: http://doceintolerancia.blogspot.com/2008/09/na-amizade-na-desgraa-e-no-cinismo.html


.....Não sei nem o que pensar. Se tenho pena da *‘copiona’ ou da *‘copiada’ - sim, porque a copiada fica sem os créditos e sem os elogios devidos a sua produção e a ‘copiona’ me causa ainda mais pena pois nunca chegará aos pés daquela que copia se não passar a criar em vez de tomar o alheio como seu e viverá para o resto de seus dias sabendo que é uma farsa completa, digna de escárnio e repulsa. Mais uma vez me peguei sem saber se rio ou se choro.
.....Ser copiada talvez seja a prova cabal de que você produz algo interessante – você não é mais um medíocre, você é agora um escritor lido, comentado e copiado, ou melhor, digno de ser “repassado”. Ser copiado te priva de receber o feedback do leitor e de alimentar o seu ego – o que eu costumava fazer quando lia os comentários aos textos que publiquei neste blog *. Ser copiado também te faz pensar em como o ser humano é capaz de agir para obter um simples elogio (por que em muitos casos uma cópia rende apenas isso) e como o mundo a nossa volta pode ser medíocre: na falta de inspiração, usa-se o talento do outro para parecer menos imbecil ante a sociedade hipócrita em que vivemos. Tem dado certo para algumas pessoas...

.....Acho que usar uma obra alheia sem dar o devido crédito ao autor é, no mínimo, uma prova de parca inteligência. No caso dos textos linkados acima é ainda mais idiota. Algum dia perceberão que a suposta autora é uma farsa ou que 'inspirou-se' em outrem para construir o seu. Não há nada demais em inspirar-se verdadeiramente no outro para sua criação. A ciência, por exemplo, depende disso. Só acho o cúmulo as pessoas esquecerem de onde surgiu todo o conhecimento de que se utilizam para escrever, compor, criar, etc, etc...
...

*Se você ainda não conhece o blog, leia também a parte I. Está alguns posts abaixo.
*Para saber quem são a 'copiona' e a copiada, preste atenção nas datas de publicação dos 2 blogs.
*Sim, tenho um EGO do tamanho de um mundo e escrevo para ser comentada! Elogios e críticas são bem vindos. Se eu não os quisesse, escreveria no meu diário particular e manteria os textos inéditos.

terça-feira, 16 de setembro de 2008

C'est l'amour?!

....Amo!

....Não sei mais o que pensar. Não sei mais como agir, o que sentir, nem o que querer. Já não sou mais o que era antes, mas tão pouco sei o que sou agora... Sei que mudei.

...
....Nunca entendi bem essa de amor... os pensamentos são desconexos, as atitudes denunciam que outra se criou dentro de mim e extinguiu a chama daquela que outrora eu fora. Hoje algo grita em meu peito, sai pelos meus poros, escorre pelos olhos ou torna-se metáfora na World 'Wild' Web...

....Amo?!

....Não sei, achei que fosse amor...

...

Il me manque beaucoup...

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Hipóxia


Saiu de casa atordoada, buscando nos carros e anúncios da cidade uma anestesia para sua dor. Estivera cansada daquele ar carregado, tãopavorosamente intenso, que ocluia desde os alvéolos pulmonares até as veias do dedão do pé. Sentia todo o corpo formigar e já não sentia as extremidades. Tomou o primeiro ônibus que a levasse pra longe. Quanto mais corria deixando pra trás sinais e túneis, mais tinha a sensação de que todo o resto ficara pra trás também. Resto. Era isto que ela era... um resto. Não satisfeita, era um restobagunçado . Um lixo remexido por vira latas famintos em busca de um simples pedaço de carne, quem sabe, alguma proteína nobre. Não... Simples ilusão. Nada de nobre restou. A podridão já havia tomado conta. As moscas recusavam aquele lixo.
O cheiro da maresia adentrou o veículo, fazendo-a perceber que estava na avenida litorânea. Decidiu subitamente descer e meio minuto depois estava com os pésnus na areia fofa e branca. Olhava para o horizonte quando concluiu que era apenas uma pequena partícula de uma grande molécula. Ela queria entender porque o mar conseguia manter um ritmo tão perfeito e simples, sendo tão vasto e imenso. Foi então que no ímpeto de uma pseudovida , resolveu fazer parte desta organização. Conforme ia entrando no mar, sentia o sal adentrar os poros, lavando primeiramente o corpo chegando até a alma. A água gelada fazia com que seus vasos se dilatassem e isto a deixava muito calma. A cada onda se sentia mais limpa, purificada e dado algumas horas estava tãolímpida que já não era possível vê-la. Tornou-se transparente no mesmo instante em que compreendeu seu sentido na imensidão...

quarta-feira, 30 de julho de 2008

O Amor... ah, o Amor!

Versão franco-brasileira com Henri Salvador e Gilberto Gil...

segunda-feira, 17 de março de 2008

Cópia?!?

É galera... parece que o (Falta de) Inspiração tem servido mesmo é de 'inspiração' pra muitas pessoas por aí afora... Hoje encontrei 2 sites copiando textos da gente. Não sei se rio ou se choro! Seria interessantíssimo ver textos do blog em outros veículos de comunicação, contanto que houvesse um aviso prévio aos autores do Blog. Num dos sites, os textos estavam com os devidos créditos (tudo dentro dos conformes). Eu só não entendi por que não avisaram sobre a publicação. Esquecimento talvez?!
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O fato é que em vez de ter uma boa surpresa, fiquei foi assustada ao ver os textos em outros lugares(mesmo com os créditos) ... Não somos Machado de Assis ou José de Alencar dos blogs, por isso o susto... mas tudo bem. Certamente meus amigos bloggueiros entendem a minha preocupação. Deixo claro que ninguém desse site em questão cometeu crime algum já que puseram a fonte dos textos, então questão resolvida. Sem maiores polêmicas. Sem mortos ou feridos! rsrsrs
http://www.copyscape.com/view.php?o=32993&u=http%3A%2F%2Fleader.top5-top.info%2Floja-do-som-info.htm&t=1205800716&s=http%3A%2F%2Ffaltadeinspiracao.blogspot.com%2F&w=26&c=1

http://www.copyscape.com/view.php?o=32993&u=http%3A%2F%2Fwww.cadernor.com.br%2Fmulher%2Findex.php%3Foption%3Dcom_content%26task%3Dview%26id%3D206%26Itemid%3D43&t=1205800716&s=http%3A%2F%2Ffaltadeinspiracao.blogspot.com%2F&w=23&c=

http://www.cadernor.com.br/mulher/index.php?option=com_content&task=view&id=207&Itemid=43

Quem quiser usar conteúdo do blog, peça autorização via e-mail ou deixe um contato nos comentários relacionados ao texto que se quer copiar. Susto a parte, saber q os textos daqui foram escolhidos é muito bom! Faz bem ao ego. Mas para prevenir novos sustos, prefiro que, de agora em diante, me peçam cópia daquilo que quiserem utilizar. Mando por e-mail a quem interessar. É melhor assim.

O meu e-mail para contato é rackeldpj@gmail.com. Se o texto não for minha criação, passarei o contato para o autor em questão.

Grata,
Rackel

quarta-feira, 12 de março de 2008

Espólio



Era noite. Na cabeceira da cama havia uma ponta, um maço de cigarros e um cinzeiro cheio de guimbas... No chão, um par de sandálias que não o pertenciam, um vestido em malha balli e alguns adornos por ela utilizados na caçada dele próprio - como os brincos, o colar e as pulseiras... Já na cama ao seu lado estava aquele corpo feminino nú, de formas tão brandas e carnes tão macias... quase pueril, não fosse o que ela sabia fazer com ele. Não sabia mais se era sua presa ou seu caçador.

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Só sabia que ela era dele, não havia a menor dúvida! Olhava suas curvas cansadas sobre aquele leito... seu playground particular! Apesar de exausto, seu corpo continuava semi-erguido - à meia luz para não atrapalhar o sono dela - estupefato, admirando a formosura daquela que sabia como ninguém arrancar os seus mais profundos suspiros...

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Ela, entretanto, não era dele. Na verdade, ela não pertencia a um alguém concreto, nem a ela mesma... Ela dizia pertencer ao mundo. Mas seus cabelos tão lisos e tão negros jaziam ali, no dormitório dele... Não importava o que diziam ela e os outros, certo?!.
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O que era realmente importante, é que naquele exato instante era ele quem contemplava a beleza indescritível daquela moça... era para ele que ela havia usado os delicados enfeites espalhados pelo cômodo e com ele que ela havia cantado sonatas de amor durante toda uma madrugada entregue aos devaneios da libido humana... eram dele o suor e a seiva envoltos no corpo de menina trigueira que ela ostentava...
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Deitou-se ao lado dela, apagou a luz e perpassou seu braço por cima daquele outro tão miúdo que ali repousava... queria aproveitar cada segundo imerso no calor daquele tronco esbelto, sentindo o perfume da nuca tão bem entalhada e com suas pernas enroscadas entre as dela... No fundo ele sentiu que seria a última vez que a consumiria daquela forma.
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Ele sabia que a menina travessa com quem se deitava de quando em vez, tem certa mania de surgir e desaparecer quando melhor lhe convém. Para a moça arredia não adiantava que ele deixasse recados na caixa postal do celular ou comentasse saudades com suas amigas... nessas ocasiões, num completo paradoxo, ela era tal qual uma guerreira austera que nunca rendia-se aos encantos ou apelos de ninguém. Era a favor da liberdade e não permitia que houvesse vínculo emocional entre eles... O que importava era apenas a satisfação dos seus caprichos de menina mimada. A vitória tinha de ser sempre dela...
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(...)

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Na manhã seguinte ela desperta faceira e anda pelo cômodo a procura de suas vestes. Quase como num ritual, orna-se novamente com tudo o que ele arrancara de seu corpo na véspera - a não ser pelo brinco de capim dourado cujo par se perdera durante a intensa movimentação de seus corpos - e leve como uma pluma, deixa aquela residência, sem contudo, acordá-lo.
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(...)

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No momento em que ele desperta, busca com os olhos o objeto do seu desejo... e dá-se conta do óbvio: ela se foi. E no mesmo instante pensa: 'será que sonhei com ela?'

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Olhando para os lados a procura da sua velha companheira nicotina, vê a marca de batom numa guimba dentro do cinzeiro... foi real. Foi su-real! Nota também o brinco que ela tanto procurou mais cedo... estava quase embaixo do colchão, ao lado dele, somente com uma pontinha aparecendo. Acende o cigarro absorto nos próprios pensamentos...

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Não era a primeira vez que ela se ia, mas era a primeira em que deixava-o sem um beijo de bom dia... Diante disso, percebeu que nunca mais veria a dona daquele brinco. Guardou-o como a um espólio de guerra... espólio da batalha em favor do prazer. Tinha de resignar-se apenas com aquela singela lembrança de noites tão bem compartilhadas...
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Apagou o cigarro, voltou ao leito e tornou a dormir. Naquele momento, nada poderia ser melhor do que uma noite - ou manhã - bem dormida ..


(...)

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Escrito originalmente em setembro de 2007. Modificado em março de 2008.