quarta-feira, 10 de junho de 2009

E aí, como vai você? Eu?!? Eu vou bem, obrigada... apesar da falta de dinheiro, falta de estímulo, falta de vergonha na cara... é, acho que vou bem sim...
Apesar dos sonhos longe de serem realizados, apesar da falta de perspectiva, dos pensamentos suicídas... é, não vou mal não. Mesmo preocupada com os mortos no vôo da Air France, com a gripe suína, a crise financeira... é, a coisa anda assim, meio... meio mal, mas anda.

Parada é que a coisa não pode ficar...
(...)

Não sei bem por quê, mas sinto nisso tudo uma certa ironia...
Ironia?! Irônica, eu?!? Sabe que você tem até um pouco de razão?!
(...)

Mas o que é racional hoje em dia mesmo?! Aumentar o tamanho das más notícias nos jornais ou fingir que não está nem aí para elas ? (...)
E viver sua mesmice cootidiana?? E voltar a lembrar da falta de perspectiva dos sonhos impossíveis? (...)

Não sei. Não sei MESMO!
E o pior é que nem dá para 'filosofar' no bar, porque a tal da crise levou embora a grana da cerveja...

quarta-feira, 8 de abril de 2009

PÃO, SANGUE E PALAVRAS

Sobre olhos enegrecidos e mudos
Sobre a catabáse de minha alma
Osculo o improvável, o inevitável
Torno-me esta coisa obesa, mórbida, crua, cheia de expectativas
Mãos tortas de apego e imensurabilidade
Nada, enfim, perfeito.

Sobre a ala de pêlos corporais
Encorpando-se a pele morena
Sou a dura arte da descoberta
Mudo, esquizofrênico, distante, deslizante
Sobre o afã do imaginável
Da desmesura, das mãos dramáticas de Caravaggio

Acima de mim?
Nem Deus, ele percorre minhas veias!
E nelas há um pouco de justiça
De preguiça em puro descanço
De boa bebida e comida com prazeres e dons

Sou o inevitável momento do que há de mais principal
Um eu transbordante
Em copos de água que escorrem ao mar aberto
Peito, Horizonte e Imensidão

Sobre meus dedos, minhas linhas, minha geografia
Há um sabor de caos
De rosa despedaçada
De leite, pão e mel
De palavra, ódio e amor
De tudo e nada
De rito e silêncio
De momento e afasia
Ânsia e azia

Tudo está em mim
E em mim deve ficar

E nesse menino que anda torto
Pés desengonçados e sem chão
Flutua sobre o que há de mais fantástico:
- Imprecisão.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Silêncio


Creio que às vezes sou autista. Tenho certa dificuldade em me relacionar apropriadamente ao ambiente e quando isto acontece, fico em silêncio. A maioria das pessoas não me entendem, exigem respostas de pronto, mas eu não as tenho em todas as ocasiões. Depois de certo tempo, passei a me perguntar o porque disso e cheguei a conclusão de que as pessoas não sabem lidar com o silêncio. Algumas delas associam a ausência de som com a solidão, outras tem medo do seu próprio pensamento, de suas reflexões. Já reparou como o mundo é barulhento? As pessoas chegam em casa sozinhas e já saem ligando a televisão pra não suportar aquele hiato sonoro. Mesmo que tenham outras atividades, a TV só tem a função de fazer barulho, uma simulação de uma falsa companhia. É tudo tão alto, ruidoso e estrondoso como uma bomba atômica preste a estourar.
Admito que é complicado quando você está falando com alguém e o cidadão não te responde... Será que ele está ouvindo? É provável que sim, porém naquele momento aquela pessoa está passando por uma enxurrada de pensamentos e incapaz de produzir uma resposta eficaz. Entenda que alguns levam mais tempo que outros e que isso não é critério de inteligência, capacidade mental ou intelectual.
Nem sempre as palavras expressam melhor que um belo silêncio. E com o tempo e treino você consegue interpretar além das verborragias habituais, e isto lhe será um diferencial. Termino com uma citação de Ciro: "Arrependo-me muitas vezes de ter falado; nunca de ter silenciado".

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Ser feio

A feiura é uma virtude para poucos
Ninguém é feio porque quer
É estado de graça
Momentos e nacos de felicidade imperfeita

Para ser feio
Não é só preciso rasgar as roupas do dia
cuspir e arrotar
É preciso mover sua propria conveniêcia
Para tudo aquilo que não está no atual
Fazer valer seu espírito nobre
De vestir tudo ao contrário
E perceber que és uma exclusão ambulante
E ver que isso não é defeito
É uma dádiva, um desbunde, um sexo
Uma trepa bem dada
Saia com roupa mais rasgada
E mais horrível
E veja que a feldade é algo tão comum e singelo
Como dar pipoca aos pombos da praça
Mostre para a patricinha e para o Maurição
Que você é tão linda (o) que ofusca os olhos
E faz com que afaste os olhares
Olha, a garota de ipanema é feia!
Ela não tem nada que os olhos não afaste
A feiura é um perigo, uma transgressão, uma subversão
É tortura
A feiura não está na liquidação
Mas no esquecido do brechó
No deposito, sempre a espera da compra
Da sua expectativa inseparável
A feiura é o elmo dos herois feios
E dela que se faz a sua piedade
E a sua comoção
Ah, feiura
Me acompanhe até a morte
A terra, as minhocas ficarão satisfeitas

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Metron

Meço
Meço meu maço de palavras
Duzias
E digo as duvidas de vida
Reduzo
Ao extremo
Descortino-me em novas propriedades
Exibo
As medidas incontáveis
Detestáveis para alguns
E arrebento mesuras
E digo
Meu Deus, me "mida"

domingo, 30 de novembro de 2008

"Ele lhe mostrou uma chave presa numa placa de madeira em que havia um número seis escrito em vermelho."

Même para vocês!

Original
"Règles:
* Attrapez le livre le plus près de vous. Maintenant.
* Allez à la page 56.
* Trouvez la 5e phrase.
* Écrivez cette phrase dans votre statut.
* Copiez ces instructions en commentaire à votre phrase.
* Ne cherchez pas votre livre préféré ou le plus cool mais bien le plus proche"


Tradução (mal feita, mas ainda sim, válida)

Regras:
* Pegue o livro mais perto de você agora.
* Vá até a página 56.
* Encontre a 5ªfrase.
* Escreva essa frase no seu blog (e nos meus comentários também, ora bolas)
* Copie essas instruções no comentário a sua frase (no seu blog, se você estiver a fim de passar o même adiante, claro!)
* Não procure seu livro preferido, nem o mais legal que você tem em casa. Pegue o que está realmente mais próximo de você nesse momento.

Frase do meu livro:

"Ele lhe mostrou uma chave presa numa placa de madeira em que havia um número seis escrito em vermelho."

(KUNDERA, Milan. A insustentável leevza do ser, pg 56: Rio Gráfica)

*Na verdade, o livro mais próximo de mim era 'A arte de amar' do Ovídio, mas a pg 56 está em branco (troca de capítulos =/ ...), então, tive de pegar o debaixo desse. Assim reencontrei o Kundera que estava esquecido aqui na bagunça do meu quarto...

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Cópia?! (parte II*)

.....Entendo que a criação literária possa despertar inveja nos demais. Afinal, criar um mundo ou recontá-lo através de suas palavras, causar o riso ou a comoção alheia, colher os louros por seu talento são coisas que fascinam a grande parte dos seres humanos. Isso ocorre por alguns motivos bem simples: A beleza física, por exemplo, é algo temerário e discutível. Com o tempo, um rostinho bonito e um corpinho sarado perdem seu valor. O dinheiro é um recurso que nem sempre é bem administrado e pode esvair-se nas mãos de quem não sabe cuidá-lo. Inteligência, por sua vez, é o único atrativo que uma pessoa carregará consigo pela vida inteira.
.....Imagine como deve ser bem quista uma pessoa capaz de provocar o riso com uma crônica bem elaborada e como se torna sedutor um poeta capaz das mais belas imagens e dos mais refinados versos? Imagine você quantos desejam esse dom?! Eu mesma sou amante da boa escrita. Não daquela que demonstra nosso domínio da gramática, mas de uma obra que me toca por algum motivo. Também sonho com uma glória literária que jamais alcançarei, visto que não tenho talento e, por mais que tenha estudado os clássicos, reconheço que estou bem aquém dessa literatura que tanto aprecio.
.....O que me preocupa agora não é o fato de não ter talento. Com isso já estou conformada. O que me preocupa, aliás, me corrói os nervos nesse momento é perceber que as pessoas não se conformam de não serem tão talentosas como as outras e cometem os atos mais vis para receber meia dúzia de elogios que nunca as pertencerão de fato. Falo aqui mais uma vez de uma prática desonesta denominada cópia.

.....Faz pouco tempo que li esses textos aqui em baixo:

IGUAL: http://sunflowerrecords.blogspot.com/2008/07/post-velho-blogue-novo.html
versus: http://doceintolerancia.blogspot.com/2008/09/sobre-o-quando-minha-cadela-me-choca.html


PARECIDO: http://sunflowerrecords.blogspot.com/2008/04/na-amizade-no-cinismo-e-na-doena.html

versus: http://doceintolerancia.blogspot.com/2008/09/na-amizade-na-desgraa-e-no-cinismo.html


.....Não sei nem o que pensar. Se tenho pena da *‘copiona’ ou da *‘copiada’ - sim, porque a copiada fica sem os créditos e sem os elogios devidos a sua produção e a ‘copiona’ me causa ainda mais pena pois nunca chegará aos pés daquela que copia se não passar a criar em vez de tomar o alheio como seu e viverá para o resto de seus dias sabendo que é uma farsa completa, digna de escárnio e repulsa. Mais uma vez me peguei sem saber se rio ou se choro.
.....Ser copiada talvez seja a prova cabal de que você produz algo interessante – você não é mais um medíocre, você é agora um escritor lido, comentado e copiado, ou melhor, digno de ser “repassado”. Ser copiado te priva de receber o feedback do leitor e de alimentar o seu ego – o que eu costumava fazer quando lia os comentários aos textos que publiquei neste blog *. Ser copiado também te faz pensar em como o ser humano é capaz de agir para obter um simples elogio (por que em muitos casos uma cópia rende apenas isso) e como o mundo a nossa volta pode ser medíocre: na falta de inspiração, usa-se o talento do outro para parecer menos imbecil ante a sociedade hipócrita em que vivemos. Tem dado certo para algumas pessoas...

.....Acho que usar uma obra alheia sem dar o devido crédito ao autor é, no mínimo, uma prova de parca inteligência. No caso dos textos linkados acima é ainda mais idiota. Algum dia perceberão que a suposta autora é uma farsa ou que 'inspirou-se' em outrem para construir o seu. Não há nada demais em inspirar-se verdadeiramente no outro para sua criação. A ciência, por exemplo, depende disso. Só acho o cúmulo as pessoas esquecerem de onde surgiu todo o conhecimento de que se utilizam para escrever, compor, criar, etc, etc...
...

*Se você ainda não conhece o blog, leia também a parte I. Está alguns posts abaixo.
*Para saber quem são a 'copiona' e a copiada, preste atenção nas datas de publicação dos 2 blogs.
*Sim, tenho um EGO do tamanho de um mundo e escrevo para ser comentada! Elogios e críticas são bem vindos. Se eu não os quisesse, escreveria no meu diário particular e manteria os textos inéditos.

terça-feira, 16 de setembro de 2008

C'est l'amour?!

....Amo!

....Não sei mais o que pensar. Não sei mais como agir, o que sentir, nem o que querer. Já não sou mais o que era antes, mas tão pouco sei o que sou agora... Sei que mudei.

...
....Nunca entendi bem essa de amor... os pensamentos são desconexos, as atitudes denunciam que outra se criou dentro de mim e extinguiu a chama daquela que outrora eu fora. Hoje algo grita em meu peito, sai pelos meus poros, escorre pelos olhos ou torna-se metáfora na World 'Wild' Web...

....Amo?!

....Não sei, achei que fosse amor...

...

Il me manque beaucoup...

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Hipóxia


Saiu de casa atordoada, buscando nos carros e anúncios da cidade uma anestesia para sua dor. Estivera cansada daquele ar carregado, tãopavorosamente intenso, que ocluia desde os alvéolos pulmonares até as veias do dedão do pé. Sentia todo o corpo formigar e já não sentia as extremidades. Tomou o primeiro ônibus que a levasse pra longe. Quanto mais corria deixando pra trás sinais e túneis, mais tinha a sensação de que todo o resto ficara pra trás também. Resto. Era isto que ela era... um resto. Não satisfeita, era um restobagunçado . Um lixo remexido por vira latas famintos em busca de um simples pedaço de carne, quem sabe, alguma proteína nobre. Não... Simples ilusão. Nada de nobre restou. A podridão já havia tomado conta. As moscas recusavam aquele lixo.
O cheiro da maresia adentrou o veículo, fazendo-a perceber que estava na avenida litorânea. Decidiu subitamente descer e meio minuto depois estava com os pésnus na areia fofa e branca. Olhava para o horizonte quando concluiu que era apenas uma pequena partícula de uma grande molécula. Ela queria entender porque o mar conseguia manter um ritmo tão perfeito e simples, sendo tão vasto e imenso. Foi então que no ímpeto de uma pseudovida , resolveu fazer parte desta organização. Conforme ia entrando no mar, sentia o sal adentrar os poros, lavando primeiramente o corpo chegando até a alma. A água gelada fazia com que seus vasos se dilatassem e isto a deixava muito calma. A cada onda se sentia mais limpa, purificada e dado algumas horas estava tãolímpida que já não era possível vê-la. Tornou-se transparente no mesmo instante em que compreendeu seu sentido na imensidão...

quarta-feira, 30 de julho de 2008

O Amor... ah, o Amor!

Versão franco-brasileira com Henri Salvador e Gilberto Gil...