quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Cópia?! (parte II*)

.....Entendo que a criação literária possa despertar inveja nos demais. Afinal, criar um mundo ou recontá-lo através de suas palavras, causar o riso ou a comoção alheia, colher os louros por seu talento são coisas que fascinam a grande parte dos seres humanos. Isso ocorre por alguns motivos bem simples: A beleza física, por exemplo, é algo temerário e discutível. Com o tempo, um rostinho bonito e um corpinho sarado perdem seu valor. O dinheiro é um recurso que nem sempre é bem administrado e pode esvair-se nas mãos de quem não sabe cuidá-lo. Inteligência, por sua vez, é o único atrativo que uma pessoa carregará consigo pela vida inteira.
.....Imagine como deve ser bem quista uma pessoa capaz de provocar o riso com uma crônica bem elaborada e como se torna sedutor um poeta capaz das mais belas imagens e dos mais refinados versos? Imagine você quantos desejam esse dom?! Eu mesma sou amante da boa escrita. Não daquela que demonstra nosso domínio da gramática, mas de uma obra que me toca por algum motivo. Também sonho com uma glória literária que jamais alcançarei, visto que não tenho talento e, por mais que tenha estudado os clássicos, reconheço que estou bem aquém dessa literatura que tanto aprecio.
.....O que me preocupa agora não é o fato de não ter talento. Com isso já estou conformada. O que me preocupa, aliás, me corrói os nervos nesse momento é perceber que as pessoas não se conformam de não serem tão talentosas como as outras e cometem os atos mais vis para receber meia dúzia de elogios que nunca as pertencerão de fato. Falo aqui mais uma vez de uma prática desonesta denominada cópia.

.....Faz pouco tempo que li esses textos aqui em baixo:

IGUAL: http://sunflowerrecords.blogspot.com/2008/07/post-velho-blogue-novo.html
versus: http://doceintolerancia.blogspot.com/2008/09/sobre-o-quando-minha-cadela-me-choca.html


PARECIDO: http://sunflowerrecords.blogspot.com/2008/04/na-amizade-no-cinismo-e-na-doena.html

versus: http://doceintolerancia.blogspot.com/2008/09/na-amizade-na-desgraa-e-no-cinismo.html


.....Não sei nem o que pensar. Se tenho pena da *‘copiona’ ou da *‘copiada’ - sim, porque a copiada fica sem os créditos e sem os elogios devidos a sua produção e a ‘copiona’ me causa ainda mais pena pois nunca chegará aos pés daquela que copia se não passar a criar em vez de tomar o alheio como seu e viverá para o resto de seus dias sabendo que é uma farsa completa, digna de escárnio e repulsa. Mais uma vez me peguei sem saber se rio ou se choro.
.....Ser copiada talvez seja a prova cabal de que você produz algo interessante – você não é mais um medíocre, você é agora um escritor lido, comentado e copiado, ou melhor, digno de ser “repassado”. Ser copiado te priva de receber o feedback do leitor e de alimentar o seu ego – o que eu costumava fazer quando lia os comentários aos textos que publiquei neste blog *. Ser copiado também te faz pensar em como o ser humano é capaz de agir para obter um simples elogio (por que em muitos casos uma cópia rende apenas isso) e como o mundo a nossa volta pode ser medíocre: na falta de inspiração, usa-se o talento do outro para parecer menos imbecil ante a sociedade hipócrita em que vivemos. Tem dado certo para algumas pessoas...

.....Acho que usar uma obra alheia sem dar o devido crédito ao autor é, no mínimo, uma prova de parca inteligência. No caso dos textos linkados acima é ainda mais idiota. Algum dia perceberão que a suposta autora é uma farsa ou que 'inspirou-se' em outrem para construir o seu. Não há nada demais em inspirar-se verdadeiramente no outro para sua criação. A ciência, por exemplo, depende disso. Só acho o cúmulo as pessoas esquecerem de onde surgiu todo o conhecimento de que se utilizam para escrever, compor, criar, etc, etc...
...

*Se você ainda não conhece o blog, leia também a parte I. Está alguns posts abaixo.
*Para saber quem são a 'copiona' e a copiada, preste atenção nas datas de publicação dos 2 blogs.
*Sim, tenho um EGO do tamanho de um mundo e escrevo para ser comentada! Elogios e críticas são bem vindos. Se eu não os quisesse, escreveria no meu diário particular e manteria os textos inéditos.